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Ressaca da não-diversão

Curitiba é uma cidade popularmente conhecida por ter as quatro estações do ano em um dia só. Por isso, tradicionalmente, quando faz um sábado/domingo de sol é lei todo mundo ir ao parque para curtir o sol e se divertir. “Vai ficar em casa com esse sol lá fora, menina?”

Ou então, é sexta-feira à noite e você tem necessariamente que sair simplesmente porque é sexta-feira à noite. É sua obrigação se divertir depois de cinco dias corridos trabalhados cansados. Então, canse um pouquinho mais: se arrume, coloque um salto e vá se divertir!

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Calma que têm mais exemplos: ter necessariamente que entrar no mar só porque você tá na praia, viajar e ter que conhecer os pontos turísticos do lugar. Ah, sem falar no parabéns que todos cantam na sua festa de aniversário – não importa quantos anos você tenha, jamais saberá o que fazer nesse momento. E para mim em especial, o top-dos-tops: ter a obrigação de casar no papel e fazer uma festa de casamento.

Mas eu vou chegar ao parque e ficar sentada no sol fazendo… Nada. Vou pra balada na sexta-feira quando a minha diversão verdadeira seria chegar em casa e assistir orange is the new black. Às vezes eu só quero ficar torrando no sol, não quero ficar com o cabelo cheio de sal e me sentindo à milanesa. E sobre a viagem, se ao invés de conhecer aquele museu famoso eu estiver afim de entrar numa rua desconhecida, sentar num café gostoso e apreciar o ar de uma terra totalmente distante de onde eu vivo, estou perdendo oportunidade de diversão? E não, eu não pretendo casar no civil, nem fazer uma festa de casamento, nem oficializar de alguma forma só para os íntimos pelo-menos-com-um-churrasco.

Antes que eu pareça extremista, vou logo dizendo que de vez em quando todas essas opções são ótimas alternativas de diversão – pode até ser que um dia eu case numa grande cerimônia. Não sei vocês, mas eu sinto que tenho uma obrigação de me divertir de formas que a sociedade impõe: dia de sol = dia de parque; estar na praia = entrar no mar; viajar = visitar pontos turísticos, festa de aniversário = parabéns constrangedor; morar junto = casar oficialmente, entre tantos outros clichês da diversão.

Às vezes eu só quero ficar em casa assistindo TV com o meu marido oficializado pelo companheirismo e amor do dia a dia ou conhecendo lugares alternativos aos que estão no guia de viagens e gostaria muito de não ter a ressaca da não-diversão, representada por um sentimento de frustração por não ter feito o que mandava o figurino. Ah! E no meu aniversário deste ano, eu proibi meus amigos de cantar parabéns. Foi libertador. :D

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Uma Resposta para "Ressaca da não-diversão"

  • milenedamata
    19 de agosto de 2014 - 12:38 Responder

    Adorei! :)

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