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Eles, os avós, deveriam ser eternos

Eu vivo um conflito interno sobre a intensidade de momentos de felicidade. Pra mim, felicidade plena sempre foi estar perto de todas as pessoas que eu amo – o que aconteceu tranquilamente até exatos três anos atrás. (Embora meu irmão more longe há quase dez anos, nos falamos sempre). Claro que pessoas queridas já haviam partido, mas sem hipocrisias, ninguém que estivesse totalmente presente na minha vida tão intensamente.

Com 22 anos eu engravidei e a minha avó foi a primeira pessoa que ficou sabendo. Com uma voz firme e um tom de “Por que, vai encarar?” respondeu à minha mãe “Ela está GRÁ-VI-DA” quando ela perguntou assustada “Você disse que está o que?”. Naquele dia, sei que proporcionei uma felicidade extrema para a minha vózinha, que arrisco dizer, viu um pouco do passado se repetindo, já que minha mãe também engravidou antes do previsto. Já experiente na situação (hehe) ela estava toda orgulhosa para me defender de qualquer possível comentário desagradável.

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O encontro dela com o meu filho não aconteceu na vida terrestre.

A minha família viveu um choque de realidade e percebeu que conto de fadas era ter a querida Vó Rosinha ligando, (nos seus tempos de modernidade, mandando uma mensagem no MSN) nos convidando para tomar aquele café gostoso que só ela sabia fazer, e deixar o Vô mal-humorado por ter gente em casa, afinal de contas “ele não ia à casa de ninguém incomodar os outros”.

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A lição que eu aprendi com a sua existência? Primeiro, de que eu e todas as pessoas que tiveram a sorte de serem amados por ela recebemos um bônus da vida. Segundo que, para saber se eu estou no caminho certo, basta perceber se estou ferindo os sentimentos ou a liberdade do próximo. E como até das coisas tristes aprendemos a tirar lições: com a sua ausência, aprendi que viver significa basicamente saber lidar com o tempo – aquele que acalma, cura e melhora tudo. Até a saudade.

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E enquanto isso eu fico com meu conflito interno se era mais feliz quando ela estava aqui ou sou mais feliz agora, que realizei e conquistei mais experiências, e desejando um cafuné assistindo a sessão da tarde com o cheirinho do café passando e a nega maluca assando.

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2 Respostas para "Eles, os avós, deveriam ser eternos"

  • Julyana Ribas
    17 de setembro de 2014 - 19:03 Responder

    Não pude deixar de me emocionar lendo esse MARAVILHOSO texto que traz a tona lembranças da nossa querida avó, e também do vô. Somos privilegiados, abençoados, por temos podido conviver com ela. Faço das suas, as minhas palavras! Te amo!

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