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Não posso ficar parada à espera da fada madrinha

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Queria falar pessoalmente com o senhor Walter Elias Disney, mas sei que isso é impossível, primeiro porque ele está morto. Mesmo assim, gostaria de dizer pra ele que passei minha infância toda achando as suas princesas um máximo. Os cabelos certinhos, a pele perfeita, os vestidos muito bem passados e os príncipes que chegavam sem demora em lindos cavalos brancos. Aí eu cresci, e vi que meu cabelo era teimoso, minha pele oleosa, e na minha vida, apareciam príncipes que se pareciam mais com a Fera, do que com o famoso Encantado.

Só que em vez de passar meus dias dançando com objetos encantados num castelo, a minha história era constituída por um cara maluco, que não me deixava ir até a esquina sozinha, e que mulher não deveria trabalhar fora. É senhor Disney, quando eu tive um namorado que era uma “fera” a coisa ficou feia pro meu lado. Eu cresci assistindo todos esses desenhos e admirando a Cinderela, com todos os seus amigos ratinhos, mas quando eu amadureci vi que ela tinha sérios problemas com a sua madrasta. Ela era fraca e não lutava pelos sonhos, e em vez de correr atrás deles, esperou por uma fada madrinha que a tirasse daquela vida difícil e num passe de mágica resolvesse todos os seus problemas.

Senhor Walter, sinto muito em te dizer, ainda mais assim, tão tarde, mas a sua operação “princesa heroína” fracassou. Não faz nenhum sentido eu me espelhar na tal Ariel, mais conhecida como A Pequena Sereia. Uma adolescente rebelde, mal criada, e mimada, que após milhões de desavenças com o pai deixa o seu “reino”, seus amigos, e toda a sua vida, para viver no mundo de Eric, o príncipe. Senhor Disney, em “Atlântica” as coisas podem até funcionar dessa forma, mas por aqui não funcionam, e se qualquer mulher deixar os amigos, para viver isolada com a sua paixão do momento, ela será eternamente julgada. Depois que eu cresci, percebi que não quero ser a Ariel, nem a Cinderela, muito menos a Bella.

Quero ser só eu mesma. Quero ser uma heroína de verdade, com opiniões próprias, com pensamentos indestrutíveis, amigos por perto e sonhos altos. Não vou permitir que nenhum homem me beije contra a minha vontade, dormindo, ou acordada. Será que ninguém pensou que isso é contra qualquer principio básico de conviver em sociedade? Não é possível que alguém concorde que beijar uma pessoa sem o consentimento dela seja natural. E pensando nesse caso, também não quero ser Bela Adormecida nem a Branca de Neve, até porque, eu não ficaria em casa lavando cueca de anões que mal conheço, e no mínimo eu iria para a mina trabalhar com eles.

Por mais que minha mãe dissesse que eu era uma princesa, hoje eu entendo porque eu não acreditava. Princesas são fracas em sua maioria, e dramatizam qualquer situação. Princesas em sua maioria vivem sozinhas e tristes em castelos distantes, esperando que um príncipe apareça para salva-las. Sinceramente? Eu não sou do tipo que jogaria as tranças para um mocinho lindo e rico subir para me salvar. Eu já estaria lá em baixo faz tempo, venderia meu cabelo no Centro, compraria um carro e arranjaria um emprego.

Caro senhor Walt Disney, depois de 20 anos, cheguei à conclusão de que suas princesas não me inspiram mais, porque mulheres gostam de ser independentes, e não de contos de fadas. Hoje o que eu mais gosto no senhor, é a sua famosa frase, “continue seguindo em frente”, porque sabe como é né? Num mundo cheio de bruxas malvadas, e príncipes babacas, não dá pra ficar parada à espera da fada madrinha.

Com amor e um pouco de descontentamento, Natália.

Bases_Assinaturas_ATerapiaDeAliceNatalia

 

37 Respostas para "Não posso ficar parada à espera da fada madrinha"

  • Heliete
    11 de março de 2015 - 18:22 Responder

    Amei, amei, amei, Naty!!

  • Priscila
    12 de março de 2015 - 13:53 Responder

    Texto perfeito!
    Confesso que durante muito tempo quis ser essa princesa que é liberta pelo príncipe encantado, mas graças a Deus acordei a tempo.

    • a terapia de alice
      13 de março de 2015 - 14:53 Responder

      Entender que nós é quem somos as verdadeiras princesas é libertador Priscila! Obrigada pelo seu comentário. :)

  • Joseli
    12 de março de 2015 - 21:00 Responder

    Adorei !!

  • Aline
    13 de março de 2015 - 22:09 Responder

    Super perfeito disse tudo!!!

  • Isabella
    17 de março de 2015 - 21:03 Responder

    “venderia meu cabelo no Guadalupe” HAHAHAHAHAHA

  • jacquelinenatalida@gmail.com
    4 de maio de 2015 - 20:15 Responder

    Venderia meu cabelo no Guadalupe, eu ri muito alto hahahahaha
    Liiiiiiindo *.*

  • Natalia
    9 de julho de 2015 - 12:43 Responder

    Amo, amo demais essa página!!!
    Cada texto, um mais perfeito que o outro.

  • Ludyhane
    9 de julho de 2015 - 13:57 Responder

    Olá, Boa Tarde.

    Comecei ler, os artigos dessa pagina a pouco tempo.
    Mas me identifiquei com cada texto de uma maneira muito especial.
    Como se tudo que eu já quis um diz falar ou que em alguma situação pensei, estivessem escritos bem na minha frente.
    São Lindas as mensagens e reflexões.
    Vocês se tornaram a voz que sempre quis ter. Obrigada!
    :)

    • a terapia de alice
      10 de julho de 2015 - 12:33 Responder

      Ludy, como vai? Como é bom saber que outras mulheres se identificam com os nossos textos, isso enche o nosso coração de felicidade. Obrigada pelas palavras de incentivo ♥

      • Ludyhane
        10 de julho de 2015 - 13:44 Responder

        Eu vou muito bem.
        Obrigada pela resposta, estou muito feliz pela atenção.
        Agora essa pagina, virou uma leitura diária obrigatória.
        Como se fosse meu díario, ou melhor inspiração para que ele aconteça!
        Abraços

  • Tatiane Soares
    9 de julho de 2015 - 15:12 Responder

    Lindo,lindo,lindo!!! Chega de príncipes babacas!! <3

  • Ana
    9 de julho de 2015 - 16:46 Responder

    Faz um tempo que venho acompanhado seus texto, e sinceramente parabéns você aborda varios temas bem bacanas e consegue ter uma ligação super legal com o leitor. Virei fã.

    • a terapia de alice
      10 de julho de 2015 - 12:32 Responder

      Ana, obrigada! É com muito carinho que escrevemos e dedicamos nosso tempo a todas vocês. Continue acompanhando, é muito bom ter você por aqui ♥

  • Leidi
    9 de julho de 2015 - 22:42 Responder

    Dá para curtir quantas vezes? *-*
    Sabe que passei um bom tempo de minha vida sendo inspirada por todos esses contos de fadas, nas vozes dos narradores era tão lindo né?! Mas depois de um tempo e de viver e amadurecer percebi que as coisas não são assim, e como você mesmo fala: “Depois que eu cresci, percebi que não quero ser a Ariel, nem a Cinderela, muito menos a Bella.”
    Por vezes convivendo com minha afilhada, de seis anos de idade, me parei a pensar nisso, será que não seria melhor evitar os tais livros e histórias de princesas? Talvez isso evitaria a construção de uma utopia em que o mundo é perfeito, e esse mundo se torna perfeito a partir do momento em que você encontra o príncipe?
    Bem, compartilhei um pouco de tudo oque pensei quando li esse tempo!
    Parabéns, esse texto é simplesmente perfeito, esse blog é perfeito, o conteúdo de seus textos são fantásticos!

    • a terapia de alice
      10 de julho de 2015 - 15:06 Responder

      Leidi, dá pra curtir mil vezes ♥
      Obrigada pelo seu carinho, e você, como uma boa madrinha (ao contrário da fada…) pode inspirar a sua afilhada a ser uma mulher de verdade! Continue nos acompanhando, beijo.

  • Paula Pacheco
    8 de setembro de 2015 - 17:48 Responder

    Meninas, dificilmente paro para elogiar autores que eu admiro, embora espalhe meu reconhecimento por eles aos quatro ventos…
    Hoje, como curitibana e mulher de 32 anos, me sinto na obrigação de escrever aqui e elogia-las!
    Os textos de vcs são criativos e de uma qualidade ímpar, que nos descreve incrivelmente a cada leitura!
    Obrigada por nos dar uma… “leitura terapêutica”… rs… Capaz de nos mostrar que nunca estaremos sozinhas em nossos pensamentos, por mais loucos que sejam!
    Admiro cada uma de vocês e espero, um dia, ter o prazer de conhece-las!
    Parabéns pelo sucesso! Totalmente merecido…

    • a terapia de alice
      11 de setembro de 2015 - 15:06 Responder

      Olá Paula, tudo bem com você? Seu comentário encheu o nosso coração de amor, é um prazer ter uma leitora tão querida como você. Esperamos sempre suprir as suas expectativas, e ter você sempre por perto. Gostaríamos de conhecer você também, um beijo querida, obrigada por estar aqui! ♥

  • Rose
    8 de setembro de 2015 - 20:32 Responder

    Amei muito engraçado!!

  • Roberta
    27 de outubro de 2015 - 23:14 Responder

    Eu adorei o texto! Mas tenho que dizer que tem quatro princesas recentes que eu acho que ainda vale a pena se inspirar: A Tiana (princesa e o sapo), Merida (Valente), e a Elsa e Anna (Frozen). Falando delas respectivamente, eu admiro a Tiana por ter lutado a vida inteira trabalhando pra abrir seu próprio restaurante, eu admiro a Merida, que apesar do drama de adolescente, ela tinha razão e coragem para recusar um casamento forçado, e (surpresa) termina a história sem nenhum príncipe e feliz, e admiro a Elsa e a Anna, mas principalmente a Elsa por representar a libertação dos perfeccionismos que a mulheres são praticamente obrigadas a passar, e a Anna é o exemplo Disney das próprias mulheres que anteriormente foram iludidas por príncipes perfeitos que não existem, e a apesar de arranjar um lance com o vendedor de gelo imperfeito (esqueci o nome dele hehe) não tem casamento no final. Enfim, eu adorei seu texto, mas senti a necessidade de mostrar que, graças a Deus, a Disney está mudando seus paradigmas, e que irá influenciar positivamente as próximas gerações de meninas. :)

  • Marcia Caroline
    21 de novembro de 2015 - 12:26 Responder

    Me identifiquei 100%.
    Meu pai sempre diz que me tratou como princesa para não aceitar menos do que respeito e mostrou o mundo para que não fosse frágil, para os desafios da vida!

  • Simone Molinari
    21 de novembro de 2015 - 13:39 Responder

    Amei o texto … chega de seguir um modelo , precisamos começar a escrever nossa própria historias com princesas reais , com heroínas de verdade

    • a terapia de alice
      23 de novembro de 2015 - 09:53 Responder

      Olá Simone, concordamos com você! ♥

  • Andressa
    21 de novembro de 2015 - 16:13 Responder

    Site incrível.
    Textos incríveis.
    E esse, com certeza tá inspirador, concordo com tudo.
    Parabéns pelo trabalho,todos que já li até agora são incríveis.

    • a terapia de alice
      23 de novembro de 2015 - 09:52 Responder

      Olá Andressa querida, como vai? Que bom que está gostando, continue sempre com a gente. Um super beijo ♥

  • Gessica
    26 de janeiro de 2016 - 10:57 Responder

    Amei. Me identifiquei. De fato príncipes encantados nao existem…
    E principalmente, sapo eh SAPO, nao adianta achar q um dia ele virará um principe q isso nunca vai acontecer. Principalmente achar q ele irá te tratar como uma princesa.

    Tenho acompanhado e te fato estou gostando bastante de todos os textos…
    Parabéns!

  • Fabiana
    11 de março de 2016 - 15:43 Responder

    Não existe passe de mágica então bora fazer acontecer! Excelente texto <3

  • Mariana
    11 de março de 2016 - 15:50 Responder

    Arrasou Nat! Amei!

  • Priscila Gabriel
    11 de março de 2016 - 16:11 Responder

    Souuu completamente viciada nesse blog!!!

    • a terapia de alice
      11 de março de 2016 - 17:17 Responder

      Linda! ♥

  • Alice Rodrigues
    3 de junho de 2016 - 00:14 Responder

    Simplesmente amei, adoro o blog e me identifico em mtos dos seus textos,

  • Laurem
    21 de julho de 2016 - 07:40 Responder

    E pensando nesse caso, também não quero ser Bela Adormecida nem a Branca de Neve, até porque, eu não ficaria em casa lavando cueca de anões que mal conheço, e no mínimo eu iria para a mina trabalhar com eles.
    -Me identifiquei demais, simplesmente perfeito.

  • Ingryde LIma
    23 de novembro de 2016 - 11:04 Responder

    Uau, que texto! Parabéns <3

    • a terapia de alice
      24 de novembro de 2016 - 16:29 Responder

      Obrigada Ingryde, continue com a gente ♥

  • fabiana
    29 de agosto de 2017 - 14:40 Responder

    Relendo, adoro esse texto!

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