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E dentro de mim, minha mãe

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Foi bem estranho o dia em que pensei na minha mãe e vi que sou um espelho dela. Demorou pra eu crescer o suficiente e olhar esse espelho na altura do olho no olho, mas quando vi, só pude sentir amor. Amor, gratidão e compaixão pela pessoa que daria sua vida por mim.

Tudo se justifica quando você olha da tua essência às tuas manias e descobre dentro de você, tua mãe. Não me diga que você também não teria vontade de esganar uma adolescente que convive com você diariamente.

Ahh a adolescência… um capítulo à parte na vida de toda mulher. Tudo é um drama e a sua mãe passa a ser o pior deles. Se for muito rigorosa, é muito chata. Se for muito liberal, não liga pra você. Se for muito perua, você passa vergonha, se for bicho grilo, a vergonha é dupla. Ela pode te dar e deixar você fazer tudo o que quiser, mas quando diz um não… ahh! Aquilo acaba com a gente e nos corrói por dentro.


E acho que foi bem aí que entendi minha mãe, nessa transição aonde virei mulher adulta, quando passei da fase do “ai mãe, você é muito chata”, para a fase do “meu Deus! Tô falando igual a minha mãe!”. Momento em que você passa a admirar a “peruisse” dela e entende o quanto é difícil viver arrumada com tanta coisa pra fazer. Ou, no meu caso, se espelha na “bicho grilisse”, e também entende o quanto é legal o desapego e a forma livre que ela vive a vida.

Depois que virei mãe, o sentimento só se intensificou. E se eu falar que “gostaria de ser a metade do que ela é” estou mentindo. Eu quero ser o dobro. Quero levar todos os teus ensinamentos e dar continuidade nessa evolução. E eu espero que meu filho seja o meu dobro, assim nós duas – mães – veremos a evolução da nossa espécie bem diante dos nossos olhos.

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