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Amigos de outras terras

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Foi quase sem querer que esbarrei nas pessoas mais fantásticas que conheço. Foi por uma ajudinha do destino, ou quem sabe do acaso, que eu fui parar na mesma cidade-no-meio-do-nada que aquela galera inesquecível ou que me hospedei naquele hostel que mais parecia um presídio. Foi por um convite aceito de última hora que eu fui naquela festa-estranha-com-gente-esquisita e saí de braço dado, com um colar havaiano na cabeça, gritando na nova língua que “aprendi”.

Quem já passou uma ou várias temporadas em outras terras sabe bem como é essa coisa de conhecer uma pessoa às seis e se tornar amigo-de-infância às onze. Para mim, funciona mais ou menos assim: quando você, numa terra desconhecida, detecta outro ser igualmente deslocado (ou deslumbrado), o clique acontece, os olhos brilham e a parceria começa, assim instantaneamente. Não importa se vocês mal conseguem se comunicar, se vocês têm raças e credos distintos.

Isso faz parte da magia de estar longe da sua cidade e de estar fora da sua zona de conforto. Para quem nunca vivenciou isso, pode parecer artificial ou superficial, mas digo por experiência própria: amigos de outras terras fazem parte das memórias mais saudosas de qualquer um que se aventurou longe de casa!

Amigos de outras terras são aqueles que estão nas suas fotos “cartões postais”, aqueles que também se esconderam dentro do carro com medo dos coiotes que uivavam naquela noite abafada no Vale da Morte. Aqueles que rodaram Londres em uma noite chuvosa virando um shot por bar, ou aqueles que também comemoram a primeira vez que você viu neve na fila do Black Friday, ou ainda aquelas que te levaram para aprender a dançar tango na capital portenha, só porque você queria fazer alguma coisa mais “local”.

Não importa o tempo de convivência, para amigos de outras terras, esses negócios de datas, relógios e calendários são meros detalhes. O que importa nessas amizades é a intensidade dos momentos desfrutados juntos, as piadas internas, as confidências trocadas e as souvenirs que ficam.

Por sorte, nem todos os amigos de outras terras precisam necessariamente morar longe, e com algumas horinhas de viagem, você já pode matar a saudades, reviver aquelas histórias engraçadas e construir novas lembranças. Por sorte também, alguns amigos de outras terras moram bem longe, e aí um novo roteiro bem planejado pode te levar para aquele abraço amavelmente esquisito que só não-brasileiros sabem dar e fazer com que toda essa magia aconteça novamente.

Nas viagens que fiz, conheci muita gente interessante que dividiu descobertas memoráveis comigo, que me ensinou muita coisa, que me quis bem de primeira e que até hoje está presente na minha vida de uma forma ou de outra. Para finalizar: a todos esses amigos, eu tenho o maior carinho de mundo e um coração cheio de alegria por ter tido a sorte de conhecê-los. Pena que nem todos lêem português ou mesmo o nosso alfabeto, mas saibam telepaticamente que os sorrisos de vocês estão sempre comigo!

♪ In my Life – Lindsey Saunders (Beatles Cover)

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