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O que importa é se importar

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Eu estou no meu restaurante preferido, talvez o mais caro da cidade. Olhei pro lado e vi um casal de meia-idade, um em frente ao outro com cara de quem odiava o mundo. Reparei que durante o jantar eles não trocaram uma palavra, e estremeci por dentro, tive medo de um dia me tornar um daqueles casais. A vida de solteira parecia cruel e estava sendo difícil, mas nada era pior do que estar no lugar daquela mulher. O cara que estava jantando comigo já havia me feito sofrer no passado, mas estava insistindo há meses para jantar, e eu aceitei. Ele era bonito por fora, usava perfumes caríssimos e tinha um carro que eu não podia comprar.

Ele falava dele mesmo o tempo todo, tentei falar de mim em todos os intervalos, e ele interrompia pra falar em como ele era demais e auto-suficiente. Me falou durante horas do trabalho, das mulheres que caíram aos seus pés, em como ele era inteligente, como o carro dele era bom e como era legal viajar pelo mundo. Não tive nenhuma oportunidade de faler sobre mim, ele não se interessou. Era muita prepotência e arrogância pra um cara só, e enquanto ele falava sobre assuntos que não me interessavam, eu me lembrei do meu melhor amigo.

Aquele cara fez com que eu chegasse à conclusão de que estava apaixonada por alguém que era extremamente diferente dele. O meu amigo andava de ônibus, e o melhor restaurante que ele conhecia eram esses de shopping, mas ele tinha um brilho nos olhos e o sorriso mais lindo do universo. Ele me ouvia com carinho e dava importância pros meus problemas como se fossem dele. Comíamos coxinha no intervalo das aulas, não salmão. A família dele era simples como a minha, não tinham nenhum negócio de sucesso, mas as nossas gargalhadas às vezes eram tão altas que os professores olhavam feio e nos mandavam ficar quietos. Nossa cumplicidade era tanta, que ele me trazia chocolates antes da prova pra eu ficar calma, abria a porta pra eu entrar primeiro, e me dava flores quando eu estava triste.

Ele fazia com que eu me sentisse especial, se importava comigo, e na maioria das vezes não gastava nem um centavo com isso. Isso me fez chegar à conclusão de que dar um Porshe de aniversário é fácil, hoje se parcelam em até 72 vezes, difícil mesmo é arrancar um sorriso sincero, é fazer com que a pessoa se sinta importante, é ouvir uma música e saber que aquilo traduz perfeitamente vocês dois. Os valores se perderam, e hoje em dia presentes caros valem mais que um abraço no final de um dia difícil de trabalho. Pensando aqui, o garoto rico que se gabou por pedir um vinho caro, devia ser igual ao marido daquela mulher, levando ela pra jantar num restaurante caro, com a sua bolsa LV e seu relógio MK.

Homens assim existem aos montes, porque eles só são capazes de oferecer o que todos podem oferecer: aquilo que é fácil, e não o que é importante.

 

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9 Respostas para "O que importa é se importar"

  • Dará Machado
    9 de setembro de 2015 - 16:56 Responder

    Texto lindo lindo, sempre acompanhei os textos e esse pra mim é o que mais amei. Parabéns meninas por fazerem esse blog, que é minha inspiração.

    • a terapia de alice
      11 de setembro de 2015 - 15:04 Responder

      Dará como vai? Obrigada por tanto carinho, continue com a gente, é muito bom ter você por aqui! ♥

  • Claudia
    9 de setembro de 2015 - 21:02 Responder

    Perfeito, temos que valorizar o que vem da alma, do coração e de um sorriso sincero!! adorei!

  • Cris Silveira Basko
    9 de setembro de 2015 - 23:04 Responder

    Nati amei, tudo, mas um destaque especial, final do dia … Ganhar aquele abraço apertado, REALMENTE NÃO TEM PREÇO.

    • a terapia de alice
      11 de setembro de 2015 - 15:03 Responder

      Abraços são a melhor coisa do mundo! ♥

  • Ana Carla
    11 de setembro de 2015 - 14:43 Responder

    Lindo texto, também sou fã de um gesto de simplicidade, é cativante .

  • Marluce Del Ciello
    27 de novembro de 2015 - 11:16 Responder

    ESPETÁCULO DE TEXTO PARABÉNS

  • Mariane leme
    8 de dezembro de 2015 - 17:01 Responder

    Texto maravilhoso

  • Emily Ferrari
    8 de abril de 2016 - 00:29 Responder

    Sabe aqueles dias em que você se pergunta quem você é? Aquele dia em que até o céu combina com o tom do seu coração, nem aquela sua blusa amarela preferida traz cor para o seu dia. Pois é, dói tanto ter que odiar algo que te fez tão bem. O amor já não faz mas sentido com tantas decepções que já teve. Porquê complico tanto as coisas querendo resolvê-las. As vezes tenho vontade de desabar, de tirar essa capa de “suporto tudo”, de dizer pra mim mesma que depois dessa vai ser diferente.
    Odeio expectativas, crio elas, espero das pessoas, e acabo magoando não apenas eu mas quem coloquei toda essa expectativa. Decidi que hoje não quero esperar nada das pessoas, mas sim de mim! Se alguem precisa mudar esse alguém sempre fui eu. Me olhar no espelho e reconhecer que mereço ser feliz,

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